O POETA
O poeta desce a madrugada
afiando
a sua palavra
o seu poema armado.
O poeta desce a madrugada
pensando no seu amor
na cama que lhe aguarda
em sua mulher aurora.
O poeta desce a madrugada
conjugando verbos
consoantes invisíveis
óperas sem fim.
O poeta desce a madrugada
contabilizando vidas
e mais vidas
as suas muitas
sensações do peito.
E o poeta enfim
desce a madrugada
sendo o que ele é: o poeta
operando vivamente
a sua linguagem
sem fim.
Sérvio Lima
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